Na Política

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21/05/12 | 22:39h (BSB)

“O governo Déda tem sido extremamente perverso com o movimento sindical”

Presidente da CUT: “No tocante ao tratamento, não é diferente. Criminaliza greve do mesmo jeito”

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Dudu: crítica aos pelegos

Por Joedson Telles


O presidente da central Única dos Trabalhadores, Rubens Marques de Souza, o professor Dudu, prometeu entregar, nesta segunda-feira 21, ao governador Marcelo Déda (PT), um relatório, que segundo ele, prova com dados do próprio governo que há, sim, como dar o aumento pleiteado pelo servidor. "Nós estamos cobrando a ele uma série de informações, inclusive folhas de pagamento de cargos de comissão, quanto gasta, detalhadamente, e fazemos isso com base na Lei da Transparência", diz. Contrariado com a relação governo x trabalhador, Dudu afirma que o governo tem sido, extremamente, perverso com o movimento sindical, criminalizando o movimento. E manda um recado aos companheiros petistas que não aceitam suas críticas ao governo do Estado. "Eu sou militante sindical e tenho obrigação partidária. Muita gente do PT me vê como inimigo porque eu não sou pelego. Se eu fosse pelego, estava sendo elogiado pela cúpula política e odiado pelos trabalhadores. Eu prefiro ser chamado de inimigo, que não sou, por antigos companheiros que militaram na CUT a ser desmoralizado pela minha base", diz. A entrevista:


Universo Polítioc.com - A CUT acaba de concluir um relatório e pretende entregar ao governador Marcelo Déda. Qual a finalidade desse documento?
Professor Dudu -
O discurso do governador tem sido que o estado não tem receita para atender as cobranças dos sindicatos, no tocante ao reajuste salarial. O problema é que esse discurso está superado porque a receita de Sergipe tem crescido mês a mês. O PIB de Sergipe cresceu tanto que o próprio Estado festejou: divulgou fartamente na imprensa, no seu site. A gente quer entender essa lógica. Cresce o PIB, obviamente a receita cresce, mas, na hora de dar reajuste, não pode? Alguma coisa está errada. Então, nós estamos pedindo com base no relatório do terceiro quadrimestre de gestão fiscal de 2011. Nós estamos cobrando a ele uma série de informações, inclusive folhas de pagamento de cargos de comissão, quanto gasta, detalhadamente, e fazemos isso com base na Lei da Transparência e nem precisaria estar pedindo baseado em lei nenhuma. Acho que o próprio Estado deveria se antecipar. Existe uma cobrança de salário e o Estado diz que não pode pagar, o próprio Estado deveria liberar todas as informações. Só há um caminho para que o governo cale os grevistas: é ele provar que não pode pagar. Então, quando ele não prova, não temos nenhum motivo para acreditar. Se sou eu o gestor público eu ia pegar a despesa e a receita, mas só isso não basta. Você está trabalhando com números. Arrecadei tanto e paguei tanto. Aquilo que eu paguei eu tenho que mostrar documentalmente. Se eu tenho uma folha de pagamento de tantos bilhões eu tenho que liberar a folha para a entidade sindical. Existe uma prática no Judiciário sergipano, extremamente, equivocada. Prefeito e governador não entregam a folha de pagamento com o aval do Poder Judiciário, que diz que o salário é algo que não pode ser revelado. Isso não é verdade. Quando eu faço um concurso público, a primeira coisa que tem que ter no edital é o salário. Como é que o povo paga o salário do servidor público e esse salário é sigiloso? Isso aí é conversa para boi dormir. Nesse caso, o Poder Judiciário presta um desserviço - e aí ajudam prefeitos e governadores que fogem da transparência. Nesse caso da greve específica do Sintese e dos servidores, ninguém acredita que o governo não pode pagar. Então, ele vai ter que provar. Estou aqui com esse ofício para protocolar, nesta segunda-feira, no palácio do governo, e espero que ele respeite. Se não respeita o movimento sindical, que não está respeitando, espero que ele respeite pelo menos a lei. Esses dados são do próprio governo. Os dados do Dieese sempre foram corretos, sempre desbancaram os dados do governo. Tanto o Sindfisco, tanto o Sindat e o Dieese, que assessora a CUT, têm que trabalhar com relatório fiscal do próprio Estado. Não tem saída: é mostrar a folha de pagamento e dizer como está gastando.


U.P. - Então esses dados têm coerência com aqueles apresentados pelo economista Luiz Moura aos deputados estaduais, quando esteve na Assembleia Legislativa, representando o Dieese?
Professor Dudu -
Não tenho dúvida. Não é de agora que Luiz Moura tem desmentido o secretário da Fazenda do stado. Triste de Sergipe se as previsões de João Andrade tivessem se confirmado uma vez apenas. Sergipe estaria na miséria, porque as previsões de João Andrade são catastróficas. Sergipe vai acabar em nome da crise. Se tem crise e vai fazer corte não faça corte no salário de quem trabalha. Faça corte com cargo de comissão, de político aposentado, derrotado. Quer fazer corte, chame o movimento sindical, abra o debate franco e honesto e a gente vai dizer onde tem que fazer corte.


U.P. O senhor quer dizer que há ‘muito marajá' no Governo do Estado?
Professor Dudu
- Pelo menos é o que deixa transparecer quando não quer mostrar. Eu não estou afirmando, mas estou dizendo que, quando você se nega a entregar as informações, está escondendo alguma coisa. Se você não tem o que esconder entrega a folha. A melhor forma de provar é não ter medo do debate. Há três anos, na Casa Civil tinham 3,032 mil cargos de comissionados. O argumento do governo era de que nem todo mundo estava lotado na Casa Civil. Então, diga onde esse povo está lotado. Esse ofício pede para que diga onde está lotado, porque o governo dizia que é lotado na Casa Civil e de lá distribuído. Desta vez, estamos cobrando para que o governo diga para onde estão sendo distribuídos. Se não tem aumento de salário para trabalhador, para servidor público, não pode ter cargo de comissão para apadrinhado político, para ajeitar a articulação política de ninguém. Isso a CUT não aceita.


U.P. - O senhor quer dizer que é melhor ser cabo eleitoral que trabalhador?
Professor Dudu
- Se você comparar um CC daquele bem gordinho com o salário de um servidor público faz vergonha. Um professor como eu, por exemplo, não dá nem para comparar.


U.P. - E o piso?
Professor Dudu
- O piso salarial é um debate que o governador perdeu. Ele está enfrentado, desgastando sindicato. Agora é um debate que para a sociedade ele perdeu. Perdeu porque antes o sindicato fazia o cálculo, ia para disputa com o governo e aí o governo desqualificava os dados do movimento sindical. Hoje é diferente: 22,22% não foi o Sintese quem inventou. Foi o MEC que definiu. Eles não contestam o MEC. Foi o MEC que disse. Isso é um crime que o governo comete contra quem estudou, contra quem se esforçou para se qualificar. Ele pega um grupo pequeno de professores de nível médio, que é um grupo em extinção, e dá os 22%. O grosso da categoria, o nível superior com pós-graduação, mestrado, esse ele dá 6%. A lógica é que pega um grupo com um número menor e paga 22% e à massa de trabalhadores ele dá a inflação. Aconteceu que aquela minoria começou a crescer o salário. Próximo ano o MEC dá mais 23% e vamos ter de novo a inflação. O governador está sem saída. A contradição está batendo à porta dele. No próximo aumento o nível médio vai passar o nível superior e aí ele vai ter que explicar a sociedade que estado é esse, onde quem estudou mais ganha menos. Se eu dou inflação para quem é nível superior, e eu dou o que o MEC manda a quem é nível médio, o grupo menor, vai chegar o dia que aquele que estudou menos, que é menos graduado, vai ultrapassar. Como diz no interior, a água do riacho já está batendo na bun...


U.P. - Um cidadão que observava uma dessas manifestações sindicais, comentou: "botaram Déda no Poder, agora aguentem calado". Como a CUT recebe esse tipo de pensamento?
Professor Dudu -
Essas pessoas que dizem isso se ouvirem e participarem de qualquer atividade da CUT ou do Sintese não repetirá isso. Vão ter a clareza e dar os parabéns a CUT e ao Sintese. Naturalmente, você encontra aqui em Aracaju sindicato pelego. Batia nos outros, enxergava um cisco no olho do outro, mas não enxerga um travessão no seu próprio olho. O Sintese sempre se pautou pela autonomia e a CUT também. Nós temos um princípio: independente de quem seja o patrão, independente de quem seja o governo, o nosso papel é salvaguardar o interesse dos trabalhadores. É isso que nem o governo entende. Quer confundir as coisas como se fosse aliado. Não tem nada de aliado. O movimento sindical eleito pelos trabalhadores, trabalhadores formados por uma massa bem plural. Tem que se ter cuidado com isso. Então, o Sintese e a CUT mantêm autonomia. Tanto mantêm que faz greve, denuncia. Isso é bom e as pessoas precisam enxergar isso. Votou porque tinha que votar em alguém. Você tem que fazer uma opção política. O que não cabe é você entrevistar um líder sindical e ele dizer que não votou em ninguém. Você vota e vai fazendo também o processo seletivo. Não deu certo, muda. Eu não estou dizendo que é correto: você vota, a pessoa erra a vida inteira e você continua votando. Toda a avaliação deve ser dialética. Você avalia e vai superando. O governo Déda tem sido extremamente perverso com o movimento sindical. No tocante ao tratamento não dá para dizer que é diferente. Criminaliza as greves do mesmo jeito, pede multa contra o sindicato. Então, não dá para o movimento sindical ficar amaciando o debate. Você vai encontrar aqui um monte de sindicato e central ligados à prefeitura. Quando é com outros governos são brabos, capaz de pegarem armas para ocupar prédios, palácio. Com os seus está tudo caladinho. Eu sou militante sindical e tenho obrigação partidária. Muita gente do PT me vê como inimigo porque eu não sou pelego. Se eu fosse pelego, estava sendo elogiado pela cúpula política e odiado pelos trabalhadores. Eu prefiro ser chamado de inimigo, que não sou, por antigos companheiros que militaram na CUT a ser desmoralizado pela minha base. Quero terminar o meu mandato dizendo que respeitei o estatuto da CUT, da autonomia sindical. Aqui governo não dá pitaco. O governo vai dá pitaco em outro lugar. Patrão aqui não dá pitaco. O movimento sindical é muito pequeno em Sergipe e todo mundo conhece. É só você lembrar como eram nos outros governos e como são agora.


Da redação Universo Político.com

 



19-11-2017
 

 

 

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